Foto de Ana Paula Carneiro |
Enquanto
comíamos tivemos que negociar o local da apresentação, inicialmente estávamos
marcados para a Praça da Matriz e quando chegamos percebemos que a escadaria da
igreja daria uma bela arquibancada para abrigar o público, mas soubemos pelo
Secretário de Cultura, o atencioso Marcílio, que o local da apresentação seria
atrás da igreja, lugar bacana também, mas não quisemos dispensar aquela
arquibancada perfeita destinada aos pecadores católicos da cidade em busca da
salvação. Marcílio conversou com o Padre que permitiu que o teatro acontecesses
neste local ideal. Por sorte o Padre é um sujeito muito simpático, recém
chegado naquela paróquia, Padre Tuti, era de Presidente Prudente e sua paróquia
anterior foi justamente a que o Palhaço Beterraba deixou de ser profano e fez sua
primeira comunhão e Crisma. Tuti ficou feliz de saber do Beterraba, nós também.
Foto de Ana Paula Carneiro |
Nossa
recepção, como é de costume foi feita por diversas crianças, as primeiras a se
aproximarem com uma curiosidade tremenda que supera a vergonha, ou receio dos
forasteiros. O personagem da cidade Cabelinho veio logo em seguida com seu
inseparável botijão de cachaça, sua conversa mole, as vezes sem final e
bastante tranquila. A mãe das crianças chegou em seguida feliz da vida de
lembrar que já nos conhecia de uma apresentação que fizemos na cidade há 10
anos atrás, essa lembrança foi boa rememoramos que apresentamos o mesmo
espetáculo e que esse espetáculo de mesmo daquela época só tem o nome, muita
coisa mudou durante o processo.
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Estávamos otimistas,
havíamos distribuído com o apoio da prefeitura mil filipetas em escolas e
locais público, a propaganda volante passou 3 dias seguidos na cidade lembrando
a população e a rádio ajudou a convidar os tarabaenses. Sabíamos que ia dar
bastante gente, mas sempre fica uma dúvida se vai lotar, se vai “Estourar no
Norte” como falamos quando a coisa da certo.
Aproximamos
a lona da escadaria, deixamos pouco espaço entre a escada e o local cênico para
não correr o risco de ficar longe do público se esse preferisse ficar nas
arquibancadas. A prefeitura nos disponibilizou cerca de 80 cadeiras que
colocamos nas laterais para formar a semi - arena característica nossa.
Foto de Ana Paula Carneiro |
Foto de Ana Paula Carneiro |
Lotou! Muita
gente veio assistir o espetáculo, estimamos mais de 600 pessoas estiveram na
praça naquele dia. Aí percebemos que poderíamos ter distanciado um pouco mais o
cenário da arquibancada para caber mais gente sentada no chão. O público
buscava lugar para conseguir assistir ao espetáculo, o Maestro Nicochina ficou
cercado de gente, as crianças entravam no meio da bateria, lugares que agente
nunca imaginou que alguém poderia passar eles passavam. O Maestro antes de
bater com a baqueta nos tambores tinha que olhar pra ver se nenhuma criança
estava escorada nos seus instrumentos. Isso não atrapalhou significativamente o
evento, foi ótimo, apenas em um momento essa invasão da cena fez com que
algumas pessoas em busca de uma posição para assistir o espetáculo pisassem nos
cabos de energia e desligassem alguns microfones, mas tudo foi resolvido em questão
de segundos por Nicochina e seus oito braços...
Foto de Ana Paula Carneiro |
A chegada
das pessoas foi bonita de ver, uma Lua nova brilhou no Céu próximo das 20 horas
e o público chegava de todos os lados, algumas crianças foram para suas casas
tomar banho pra voltar limpinho pra assistir o teatro, outros saíram da missa e
nem desciam da escada, por lá se instalaram. Família, adolescentes, casais, até
uns cachorros chegaram, afinal espetáculo de rua sem cachorro não é comum.
As
gargalhadas daquela gente foram tão fortes, impactavam mesmo, o som vibra na
gente quando vem com essa força e de tantas pessoas, da satisfação, certeza que
agradou, é assim que se diz no circo quando uma apresentação da certo.
As fotos da nossa apresentação em Narandiba estão na página FOTOS desse Blog ou no Fliker:
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